sábado, 22 de setembro de 2007

O que é ter vinte e poucos anos nos dias de hoje?

Eu tive a idéia, propus o tema, mas ainda não escrevi sobre ele. Para mim, pensar e relativizar algo que estou vivendo, é ao mesmo tempo normal, e absolutamente difícil... Daqui a uns vinte anos provavelmente vou lembrar do que escrevi e tecerei uma tese absurdamente incrível do que era ter vinte anos na era da impermanência digital... Caramba, isso foi o título da minha prova de Metodologia de pesquisa, mas o tema era direito autoral, e não ter vinte anos.
Será que a tal impermanência digital me persegue? Sim, me persegue! Ao escrever sobre meus vinte e poucos anos, exatos cinco, no mundo de hoje, a única palavra que salta aos meus olhos, e salta, faz piruetas, tenta me chamar atenção de toda maneira, é a fadada a ser exaustivamente repetida palavra Impermanência. Assim mesmo, com letra maiúscula, como tudo que incomoda tem que ser. Maiúscula, maior, preponderante.
Digo impermanência porque estou aqui, agora, sentada na minha cama, escrevendo no meu notebook, com a cabeça neste assunto, mas logo em seguida aperto Alt + Tab e poderei estar em qualquer lugar do mundo. Em pensamento...
Não nasci na era digital, mas definitivamente pertenço à ela. Meu primeiro curso de informática foi aos nove anos, num PC-500, com tela verde, e Carta-certa e Lotus 123, precursores do Excel e Word, que eu no alto dos meus nove anos de vida, jamais imaginaria ver...
Meu primeiro vídeo-game foi um Atari. Sim amigos, eu adoro tecnologia, desde pequena. Chorei por dois dias inteiros quando troquei meu Phanton System por um Super Nintendo. Sentia falta dos Simpsons, mas o Mário Kart salvou minha vida, e me fez desistir de dirigir pra sempre. Ou até daqui a alguns meses. Vivemos na era da impermanência, inclusive do "pra sempre". Este não existe mais.
E por falar em pra sempre, continuo acreditando no viveram felizes pra sempre. E meu príncipe encantado pode ser um Par Perfeito, ou uma Alma Gêmea, todos sites de relacionamentos...
Meu primeiro namorado conheci jogando sinuca, os outros dois, jogando conversa fora, na internet, claro. Não acredito em namoro virtual, mas namoro através do virtual. Para mim, não há nenhuma diferença entre conhecer o cara num balcão de bar ou num balcão de negócios de uma agência casamenteira. O que importa vem depois, vem do permanente, no mundo das coisas que perecem... E estes pereceram.
Acredito em amor eterno, mas não em convivência eterna. Vivemos na época dos quereres, dos prazeres, do individualismo existencial e desejoso. Queremos a todo custo sermos felizes, e isto, quando inclui um outro ser, é um perigo. Não há felicidade completa quando se quer ser feliz. Assim como não há felicidade completa quando se quer outro ser, apenas quando se aceita a companhia de outro alguém nos nossos quereres.
Na era da impermanência, ter vinte e poucos anos é saber se adaptar, evoluir. Meu signo é leão, meu horóscopo chinês é cachorro, mas vocês sabem disso, o Blog faz questão de divulgar. Quem é meu amigo no Orkut sabe que sou duas pessoas, uma delas se chama Alice, e vive presa a um mundo de maravilhas, insanas, que não consegue esconder. Quem é meu amigo de escola sabe que escrevi um livro, mas o rasguei, e sabe que agora os outros mil livros que escrevo são mentais. Quem é meu amigo de faculdade sabe que odeio meu trabalho, mas nada faço para me livrar dele, sou a Inércia em pessoa, com letra maiúscula, novamente... Mas além de inerte, sou transparente, e a chave neste mundo atual é essa, ser transparente, não ter medo do que é, porque o mundo de hoje nos permite ser qualquer coisa, mas esse qualquer coisa que somos é de conhecimento desse mesmo mundo, Todo. E podemos nos aprisionar nesta casca internauta e virtual e jamais nos lembrarmos de quem fomos um dia.
Eu prefiro ser o que eu sou. EU, com as duas letras maiúsculas.

Um comentário:

Cris Lustosa disse...

Dizem que comer ovo eh bom pra quem quer mudancas... foi oq ouvi...