sábado, 22 de setembro de 2007

Ter vinte e poucos pra mim é...

Citando alguém mais famoso, e sem medo de cair no lugar comum, acho que ter seus vinte e poucos anos é cantar a vida como o cisne canta a morte.

A diferença é saber que na maioria das vezes ainda se vai ter todo o tempo necessário pra fazer tudo com mais calma e é claro, o fato de que o cisne nunca canta antes de morrer, como já foi provado cientificamente. Mas a verdade é que mesmo podendo nós simplesmente não conseguimos esperar.

Ter vinte é também postergar o que tem que ser feito por pura preguiça ou falta de paciência, e ainda assim não sentir a menor dor na consciência por gastar esse tempo com alguma coisa completamente inútil, contanto que seja divertida.

É não ter dinheiro pra comprar cerveja, ou ter dinheiro e não ter tempo por causa da faculdade ou do trabalho. É começar a escolher como você vai viver, correr atrás, querer melhorar e começar a se virar sozinho mesmo que ignorando algumas regras importantes sobre higiene e bem estar comum no caos do seu primeiro apartamento.

É ficar puto com a idéia de beber aquele vinho vagabundo que você bebia aos litros quando tinha 15 anos, ou beber ele e ter uma puta azia no dia seguinte. Preferir ficar sem fumar que comprar Derby Amarelo ou Fly como você fazia quando tinha uns 14 anos e contava moeda pra comprar um maço de cigarros e uma caixa de fósforos.

É já ter achado em algum momento da sua vida que Frozen Gammy ou Porradinha era melhor que água, ou ficar puto quando o cara do bar quer te dar o troco em bala.

Pra mim, ter vinte e poucos anos é ser arrogante. Sim. É ter uma opinião sobre praticamente tudo e defendê-la como uma mãe defende os filhos, é agir como se você fosse sempre mais inteligente e esclarecido do que a maioria, mesmo quando a única coisa que você normalmente leia no jornal sejam os quadrinhos do Angeli.

É também quando você finalmente escolhe os livros que vai ler, e lê por que quer. Ao contrário dos tempos de primário quando lia um livro de 300 páginas e no final não conseguia dizer sobre o que era a história, por que mesmo tendo lido cada palavra estava pensando em milhares de coisas diferentes durante todo o tempo.

É ter disposição e oportunidades de discutir a qualquer momento com qualquer pessoa sobre as coisas mais interessantes ou mais idiotas. É ficar triste por saber que não estava vivo quando o Spectroman passou pela primeira vez, e feliz por não ter sacado o que estava acontecendo em 82 durante o show do Paolo Rossi na copa da Espanha.

É ter tido uma fita cassete de lambada ou balão mágico por mais repugnante que você ache os dois hoje. Ter ido pra escola de Kichute preto, meias brancas, e calça curta, revoltado de não poder ir com um Mizuno roxo e verde feio pra caralho.

É ter ficado feliz pra caceta quando trocou o Atari por um Mega Drive ou Super Nintendo e ter sentido ódio do vizinho endinheirado que depois comprou um Playstation I. É também ter enchido muito o saco da sua família pra que te dessem algum dinheiro pra jogar Street Fighter, Mortal Kombat ou Totó.

É ter ficado puto com a Marvel e com a DC quando eles começaram a matar os heróis e inventar uma porrada de universos paralelos só pra vender mais revistinha, e ainda ter reclamado que as revistas da Vertigo eram caras pra cacete.

É ter ouvido Nevermind ou Appetite for Destruction pelo menos umas 10.000 vezes, mesmo que hoje você ache os dois uma merda. É ter cantado ou tocado uma porrada de músicas do Legião Urbana e do Barão com algum amigo no violão e ainda lembrar o que você estava fazendo quando soube que o Cazuza ou o Renato Russo morreram.

É ser de esquerda, achar e falar sempre que a direita conservadora é formada por um bando de idiotas (até por que de fato é).

É já poder entender o que é ter saudades da infância e ter um pouco daquele saudosismo imbecil que todo mundo tem, mas ao mesmo tempo se sentir bem com isso.

Chavões e clichês a parte é saber que está ficando velho, mas só ter preocupação com isso enquanto você está ficando bêbado e relembrando o passado com algum amigo em algum boteco bem sujo.

Um comentário:

Denis disse...

Eu não sei o que fazia qdo o Cazuza e o Renato Russo morreram. heheh. Nem conhecia nada deles na época que eles morreram. =P